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28-11-2016 P. Kolvenbach


Faleceu esta tarde (sábado), em Beirute, o P. Kolvenbach, que foi durante 24 anos e quatro meses P. Geral da Companhia de Jesus.
Nasceu em 1928, em Druten, na Holanda. O pai era comerciante em Nimega, donde saiu em criança e onde estudou no Colégio Canisius. A sua formação juvenil percorreu os anos da Segunda Guerra Mundial e a ocupação nazi, um contexto que, segundo o próprio, lhe provocou uma desilusão em relação à política e às ideologias. 
Em 1948 ingressou na Companhia de Jesus, no Noviciado de Mariendaal, em Grave. Estudou Filosofia e Linguística e, em 1958, foi enviado para o Líbano. Fez estudos em Teologia na Universidade de São José de Beirute, onde também foi professor. Estudou arménio e foi ordenado sacerdote segundo o rito cristão arménio.
No Líbano, permaneceu mais de 20 anos, tempo que marcou profundamente a sua formação e personalidade. Este período representou para o P. Kolvenbach uma imersão no mundo oriental, pois estudou e conheceu a fundo as línguas, bem como as tradições culturais e espirituais orientais. Esta experiência fez com que se tornasse um defensor do ecumenismo e um especialista no Médio Oriente, e marcou o seu perfil dialogante, mas reservado.
Foi responsável pelos estudantes jesuítas da Universidade de São José; lecionou no Instituto de Filosofia da mesma universidade, e Linguística Geral e arménio no Instituto de Línguas Orientais de Beirute.
Em 1974 foi nomeado provincial da Vice-província do Médio Oriente, que abarca o Egipto, a Síria, o Líbano e a Turquia. Nesse mesmo ano participou em Roma na Congregação Geral 32, convocada por Pedro Arrupe, e que assinalou um momento muito importante da história da Companhia de Jesus, pelo compromisso assumido na promoção da justiça como parte integrante da fé. Ocupou o cargo de Provincial durante sete anos, durante os quais viveu circunstâncias dramáticas. Foram os anos de guerra civil no Líbano, onde a universidade de Beirute foi alvo de ataques, nos quais vários jesuítas foram assassinados e sequestrados. Como Provincial, manteve contacto com vários grupos a favor das vítimas e do diálogo. Mais tarde, viria a reconhecer que esta foi a experiência que melhor o preparou para o cargo que ocuparia como Geral dos Jesuítas.
Em 1981, foi nomeado pelo P. Arrupe como reitor do Pontifício Instituto Oriental de Roma, que se dedica às igrejas orientais, e esteve muito envolvido no diálogo ecuménico. Na sequência de um grave problema de saúde do P. Arrupe, foi convocada a Congregação Geral 33, para eleger um novo Superior Geral. A 13 de setembro de 1983, o Padre Peter-Hans Kolvenbach foi eleito Geral da Companhia de Jesus. Desde então, participou em numerosos sínodos, orientou os Exercícios Espirituais do Papa João Paulo II e dos seus colaboradores e presidiu à Congregação Geral 34. Foi membro da Comissão Mista Internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, Vice-Chanceler da Universidade Pontifícia Gregoriana, do Pontifício Instituto Bíblico e do Pontifício Instituto Oriental. Também foi consultor da Congregação para as Igrejas Orientais e membro das Congregações para a Evangelização dos Povos e para os Institutos de Vida Consagrada.
Em Janeiro de 2008, durante a Congregação Geral 35, a sua renúncia foi aceite. Foi sucedido pelo P. Adolfo Nicolás.
Regressou ao Líbano, onde viveu estes últimos anos.


Aqui  fica também o testemunho do jesuíta Manuel Morujão, que foi um dos seus conselheiros gerais e assistente para a Europa Meridional:

"A pessoa mais austera consigo própria que conheci foi o P. Kolvenbach: pouco sono, comida e haveres. Parecia que tudo lhe sobrava e dispensava as habituais coisas a que nos agarramos. Quando viajava para os diversos países, levava uma pequena pasta, como quem se deslocava para uma rua vizinha.
No trato pessoal, era afetuoso e cordial. Quando recebia hóspedes e com eles tomava uma refeição, tinha a arte de uma conversa agradável que ultrapassava o sabor da ementa. Metódico e organizado, sabia aproveitar o tempo de um modo admirável, podendo ser o autor dos seus próprios textos.

As reuniões do Conselho Geral, todos os dias da semana às 8 da manhã, abordando temas simples ou complexos, eram conduzidas com leveza e bom humor inalterável. Soube gerir as relações com a Santa Sé com sábia diplomacia inaciana, tendo aprendido a língua local, o «vaticanês» (como ele próprio dizia).

Estou certo que ficará na história com um grande Prepósito Geral da Companhia de Jesus."


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