Notícias  > Notícias


28-07-2017 Faleceu P. Marino


Faleceu na quarta-feira, dia 26 de julho, o Padre Marino Areias, sacerdote da Companhia de Jesus.

O Padre Marino Carneiro Areias nasceu a 20 de Agosto de 1942, no lugar de Rio de Moinhos, freguesia das Marinhas, concelho de Esposende, distrito e diocese de Braga.
Após os estudos secundários, entrou na Companhia de Jesus (1958) no Noviciado de Soutelo, perto de Braga, onde, após os dois anos habituais, fez a sua profissão e começou o triénio de estudos de Humanidades (Juniorado). Em 1963, iniciou em Braga os estudos da Faculdade de Filosofia, onde se viria a licenciar três anos depois. De 1966 a1969, iniciou o seu estágio de “Magistério” no Colégio da Imaculada Conceição, em Cernache (Coimbra), lecionando Religião, Português e Música.
Em seguida, matriculou-se em teologia na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, completando o 1º ano (1969-1970). Interrompeu estes estudos para um 4º ano de Magistério na Escola de Formação de Professores de Vila Coutinho (Ulóngwè) em Moçambique. No final, voltou à teologia, mas em Barcelona (San CugatdelVallés), onde, após dois anos de estudos, foi ordenado Diácono e, no mesmo ano, a 14 de Julho de 1973, ordenado Sacerdote, na igreja de Nª Sª de Fátima, no Porto. Veio a terminar os estudos de teologia – um 4º ano – de novo em Lisboa, na Universidade Católica. 
Em 1974, regressou a Moçambique, para a mesma Escola de Formação de Professores, onde estivera antes, dedicando-se agora, além do ensino, também a ministérios pastorais. Em 1975, com as mudanças políticas, veio para a Beira (Paróquia de Nª Sª de Fátima), mas acabou por voltar para Portugal, ficando na Comunidade da Residência da Lapa, em Lisboa. Colaborava na Rádio Renascença e dedicava-se a trabalhos pastorais, quer próprios da Comunidade, quer outros para que era requisitado. 
De 1978 a 1997, mudou para o Colégio de S. João de Brito, Lisboa, como professor de várias disciplinas e ajudando o Prior Padre António Melo, primeiro em Odivelas e, mais tarde, no Lumiar. Fez a sua solene Profissão Religiosa, a 31 de Julho de 1984. De 1997 a 2002, interrompendo a lecionação no Colégio, passou a viver na Comunidade da Cúria Provincial, ensinando em Escolas Oficiais e assumindo a direção do boletim mensal “Jesuítas”, de 1998 a 2005, em que se tornaram célebres as suas entrevistas a um razoável número de jesuítas.
Em 2002, passou a residir de novo na Comunidade do Colégio de S. João de Brito, continuando como professor do Ensino Oficial (até 2012) e a colaborar pastoralmente na Paróquia do Lumiar, sendo Priores os Padres António Melo e Alberto de Sousa SJ. 
A partir de 2014, começaram a notar-se os sintomas da doença que, pouco a pouco, o foi incapacitando, vindo a falecer pelas 13h00 do dia 26 de Julho de 2017, a três semanas de completar os 75 anos de idade.
Na formação, logo desde o tempo de Noviciado, foi sendo requisitado para atividades concretas, tais como as catequeses de crianças e atividades com jovens, tanto em Soutelo como em Braga, colaborando muito bem com toda a gente. A calma e uma certa timidez, aliadas ao jeito para a escrita bem original e cuidada, e ainda o gosto e inclinação para a música e a poesia, faziam dele um colaborador muito apreciado, apetecido e estimado. 
Ao mesmo tempo, mantinha-se simples e modesto, dando muitas vezes a impressão de não ser consciente das muitas qualidades que possuía. Apreciador de arte, sentia-se feliz como fotógrafo de ações humanas, sobretudo de expressões de rostos que algumas pessoas conservam como as melhores fotos da sua vida. Tanto tocava órgão, como piano, como até acordeão, como ensaiava ou dirigia um Coro de vozes a cantar. Ao mesmo tempo, tinha gosto por gravar e adquirir as obras que mais apreciava no mundo da música clássica.
Muitas pessoas recordam as suas homilias bem pessoais, partindo de factos históricos, de curiosidades linguísticas, de feitios ou temperamentos humanos, comentando muitas vezes notícias de jornais ou simples ações da vida quotidiana, onde ele ia buscar luz para focar e conduzir a sua “pregação”. Era um finíssimo observador.
Quando alguém o fazia sofrer, desabafava sem barulho e geralmente apenas com amigos de confiança. Foi sempre um homem tranquilo e pacífico, simples e bondoso, artista e culto, professor e escritor, poeta e músico… Sabia muito bem interagir com as crianças e com as pessoas mais simples, de quem foi sempre especial amigo.
Já vão longe alguns desses tempos, mas permanecem ainda hoje no coração. O seu lastro permitiu que os fosse revivendo nos breves encontros desta última fase da sua vida, doente e a desvanecer-se, quase sem comunicação… Ele, arguto e finíssimo comunicador, foi já premiado com sábios interlocutores, na pátria celeste onde agora chegou.
João Caniço, S.J.
 

  Anterior